"Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém" Carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios

"Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém [...]". (Carta do Apóstolo Paulo aos cristãos. Coríntios 6:12) Tudo posso, tudo quero, mas eu devo? Quero, mas não posso. Até posso, se burlar a regra; mas eu devo? Segundo o filósofo Mário Sérgio Cortella, ética é o conjunto de valores e princípios que [todos] usamos para definir as três grandes questões da vida, que são: QUERO, DEVO, POSSO. Tem coisas que eu quero, mas não posso. Tem coisas que eu posso, mas não devo. Tem coisas que eu devo, mas não quero. Cortella complementa "Quando temos paz de espírito? Temos paz de espírito quando aquilo que queremos é o que podemos e é o que devemos." (Cortella, 2009). Imagem Toscana, Itália.































segunda-feira, 7 de maio de 2012

HISTÓRIA - O CRESCENTE FÉRTIL





Crescente fértil é o nome dado a uma região do Oriente Médio, historicamente habitada por diversos povos e civilizações desde os mais primitivos estágios de evolução do homem moderno. Seu nome deriva precisamente do fato dessa região, em forma de lua crescente, ser extremamente propícia à agricultura, literalmente “rasgando” áreas desérticas completamente inóspitas, impróprias para povoamento constante e estável.
Tal condição vantajosa à ocupação humana advém do fato dessa região acompanhar o curso dos rios Tigre e Eufrates, (que nascem entre as montanhas Taurus, localizadas na atual Turquia) permitindo assim o pleno acesso a água potável, que também serve para a irrigação das lavouras locais, bem como para criação de gado.
O Crescente abrange as áreas da Mesopotâmia e do Levante (os territórios ou partes dos territórios de Palestina, Israel, Jordânia, Líbano, Síria e Chipre), delimitado ao sul pelo deserto da Síria e ao norte o Planalto da Anatólia.




A região é frequentemente denominada o “berço da civilização”, por ser ali o local de nascimento e desenvolvimento de vários povos, que atestadamente, antes de quaisquer outros em outras regiões do planeta, iniciaram o processo de desenvolvimento civilizatório como até hoje o reconhecemos, como por exemplo, através do estabelecimento em um determinado local em detrimento do nomadismo, o desenvolvimento de cidades, da agricultura, da roda, da escrita, de diversas ferramentas, além do desenvolvimento do comércio, isso tudo já existente por volta de 8000 anos atrás naquela mesma área.
Apesar da primazia da região, e de sua antiguidade com relação à ocupação humana, o termo “Crescente Fértil” é de criação bastante recente, tendo sido utilizado pela primeira vez pelo arqueólogo James Henry Breasted, na sua obra Ancient Records of Egypt“, de 1906. Tendo sido considerada bastante feliz tal expressão, esta passou então a ser de comum uso dentre os mais diversos estudiosos.
Além de área estratégica de passagem entre a África e a Eurásia, o Crescente Fértil também abriga uma rica biodiversidade. As mudanças durante as eras glaciais contribuíram para o constante surgimento e extinção de várias espécies animais e vegetais locais.
Obviamente, torna-se indispensável mencionar o rico legado arqueológico contido no Crescente Fértil, pela sua imediata ocupação, datada mesmo antes do surgimento do homem moderno, habitante de cidades, cultivador e criador de gado. Vestígios de culturas pré-modernas (homens pré-históricos, caçadores/coletores) bem como das primeiras culturas modernas estão por toda parte do denominado Crescente Fértil.
Os estados que atualmente possuem terras localizadas no Crescente Fértil são: Iraque, Jordânia, Líbano, Síria, Egito, Israel e Palestina, além da parte sul da Turquia e da área mais ocidental do território do Irã.

Atividade para os 6ºs anos: Pense e Responda (Capítulo 4 - página 59)
Questões para serem respondidas nesta atividade.
Leia atentamente o texto e observe o mapa do Crescente Fértil (primeiro mapa) e responda:

1ª. Sabendo que as regiões nas proximidades tanto dos rios Tigre e Eufrates quanto do rio Nilo localizam-se em terras altas ou desérticas, explique: como a natureza do crescente fértil determinou a ocupação populacional nessa região?

2ª A partir do que você estudou no texto e nos capítulos anteriormente estudados, responda: o crescente fértil poderia ter sido espaço para um processo de Revolução Agrícola?

sábado, 5 de maio de 2012

TRABALHOS CIENTÍFICOS - TCC



ORIENTAÇÃO METODOLÓGICA PARA TCC E DEMAIS TRABALHOS CIENTÍFICOS (ARTIGO CIENTÍFICO, RESENHA, RESUMO, MONOGRAFIA); CORREÇÃO ORTOGRÁFICA (NOVA ORTOGRAFIA); FORMATAÇÃO CONFORME NORMAS DA ABNT; PREPARAÇÃO PARA BANCA. mariliacoltri@gmail.com

sábado, 31 de março de 2012

João José Negrão


Por Juliana Sandres e Guilherme Souza

Em referência ao conjunto de eventos ocorridos em 31 de março de 1964 no Brasil, que culminaram no Golpe Militar no dia 1 de abril de 64, o entrevistado desta semana é o jornalista e doutor em Ciências Sociais João José Negrão.
Negrão tem 55 anos, é professor do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp) e especializado em jornalismo político e jornalismo econômico. Nesta entrevista ele conta um pouco de como era o Brasil antes do Golpe de 64, quais os fatores que acarretaram a tomada do poder pelos militares e analisa como seria o Brasil se o país não tivesse passado por 21 anos de ditaduta.



Giro Regional: Como foi o processo que culminou no Golpe de 64?
Negrão: O Golpe, se a gente olhar do ponto de vista histórico, ele é o resultado de algumas tentativas que setores mais conservadores da direita brasileira já vinham tentando fazer desde 1954/1955.
O Golpe de 64 é o coroamento de um processo que começou em 54, quando essas mesmas forças reacionárias levaram ao suicídio do Getúlio Vargas. Naquele momento, como o suicídio do Getúlio causou uma comoção popular muito marcante, os golpistas recuaram. Recuaram mas continuaram se articulando, continuaram tentando um golpe que veio a se configurar 10 anos depois, em 64.


Giro Regional: Qual foi o objetivo do Golpe de 64 e quanto tempo durou o regime militar?
Negrão: A gente pode dizer que desde um pouco antes de 64 as forças populares vinham aumentando a sua força. É uma loucura imaginar que a gente tinha um governo socialista, que o governo de Jango (João Goulart) era um governo socialista.  Não era, mas era um governo onde essas forças populares, o movimento sindical, os diferentes movimentos sociais vinham ganhando mais peso. É justamente contra esse avanço dos setores populares, contra o avanço dos setores democráticos que se dá o Golpe.
O Golpe seguiu os interesses dos latifundiários, que eram contra avanços e reformas no campo, de um setor da burguesia brasileira que era contra os avanços sociais e de setores militares que de certa maneira eram a mão armada desses setores mais reacionários. Então na verdade foi um golpe que acabou com a democracia no país, atrasou o avanço do país e que durou 21 anos. Ele começa em 1964 e embora ele comece a dar sinais de crise um pouco antes, ele vai terminar e 1985. Não vamos esquecer, o Brasil só voltou a eleger um presidente em 1989.


Giro Regional: Quais foram as principais consequências econômicas e culturais que o Brasil sofreu com a tomada do poder pelos militares?
Negrão: Do ponto de vista econômico talvez o mais complicado foi que a política econômica da ditadura se baseou em algo chamado de arrocho salarial. Ou seja, você teve crescimento da economia, mas você teve um aumento brutal da pobreza, porque os salários eram comprimidos, eram arrochados, eram deliberadamente reduzidos. Então o Brasil crescia, mas a população continuava numa pobreza intensa. Era um crescimento que só fazia ampliar a concentração de renda.
Do ponto de vista cultural a ditadura foi uma tragédia, foi um atraso, com a proibição de filmes, livros, peças de teatro, novelas, foi um atraso generalizado. Todas as manifestações culturais, nas suas mais diversas possibilidades, sofreram com a censura. A própria imprensa sofreu. É importante frisar que de maneira geral, em sua mais ampla maioria, as indústrias de mídias brasileiras foram a favor do golpe, raríssimos foram os grandes veículos que foram contra. De maneira geral, a grande mídia brasileira apoiou, bancou e articulou o golpe.


Giro Regional: Por que as grandes mídias apoiaram os militares se elas também sofreriam dos efeitos da censura? Depois de sentirem na pele, elas passaram a lutar contra a ditadura?
Negrão: As mídias sofreram depois com a censura, mas a questão da mídia brasileira, desse apoio que deram aos golpistas, não se dave simplesmente por conta da censura, mas por conta de interesses econômicos. Eles apoiaram, mas chegou num momento em que ela própria acaba sofrendo algumas dessas consequências, que é a presença da censura prévia. A gente pode dizer que quem mais lutou contra a censura foram os jornalistas, não os jornais.
Hoje você pega todos os grandes veículos e todos eles se arvoram em paladinos pela luta da liberdade de imprensa, da luta contra o autoritarismo, isso é meia verdade. Aqueles que tiverem dúvida disso, é fácil achar inclusive na internet, procurem os editoriais do dia 1 de abril de 1964 e vejam como eles trataram e se manifestaram a respeito do golpe, é de puro delírio a favor.


Giro Regional: Sabe-se que muitos artistas participaram da luta pela democracia, quais foram os principais ícones desse movimento?
Negrão: Grande parte dos artistas e dos intelectuais lutou contra a ditadura, mas é importante deixar claro também que isso não foi uma unanimidade. Teve gente que se deu bem com a ditaduta. Assim como é comum a gente falar “ah, os estudantes lutavam contra a ditadura”, a gente precisa olhar com muita clareza isso, porque você teve setores dos estudantes que eram a favor, que se beneficiaram da ditadura.
Foram vários os ícones, grandes cantores como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, gente de teatro como Cacilda Becker, o pessoal do teatro de arena, do teatro oficina. Foram vários artistas e intelectuais que tiveram papel importante nessa luta de enfrentamento à ditadura, que não aceitaram calados, que na medida do possivel, enfrentaram a ditadura com o que tinham, que era a sua capacidade de produção intelectual.


Giro Regional: Qual a sua opinião sobre o golpe? Você é contra ou a favor?
Negrão: Completamente contra, porque o Golpe Militar significou um atraso muito intenso pro País. Atraso democrático, cultural e econômico. Se a gente olha do ponto de vista do interesse das maiorias, a gente vê que foi um passo atrás. O Brasil vinha consolidando um processo democrático, tinha problemas, mas vinha consolidando e o Golpe é um recuo de inúmeros passos atrás.


Giro Regional: Qual a grande diferença entre a juventude dos anos 60 para a juventude atual? Você acha que falta engajamento político?
Negrão: Eu acho que isso é um dos mitos que se cria, porque se imaginar que o conjunto da juventude estava na luta contra a ditadura é idolatrar o passado. Tinha muita gente que era engajada, que lutava contra a ditadura mas tinha muita gente a favor da ditadura e tinha muita gente que tava pouco se lixando. Eu acho que a juventude de hoje também tem seus motivos de luta, seus motivos de se organizar. Só que hoje ela não precisa lutar contra uma ditadura porque o país vive numa democracia. Eu acho que há tanta juventude engajada na melhora do avanço democrático do país quanto talvez ouvesse antes e também há tanta gente alienada, tanta gente pouco se lixando ou tanto jovem conservador, quanto também havia antes.


Giro Regional: Você consegue imaginar como seria o Brasil atualmente se não tivessemos atravessado todos esses anos de ditadura?
Negrão: É claro que isso é um exercício, que do ponto de vista científico, é uma adivinhação, mas se a gente analisa algumas perspectivas, algumas tendências que vinham se desenhando no país antes do Golpe, certamente que a gente teria hoje uma democracia mais consolidada. Nós temos uma democracia muito jovem, o Brasil voltou a eleger presidente em 1989, é muito pouco. Muitos dos nossos alunos aqui já tinham nascido. É uma democracia que avançou rapidamente, que vem se consolidando, mas talvez a gente estivesse num patamar mais consolidado desse avanço democrático.

Giro Regional
giroregional.com.br

"Nota de Repúdio - Instituto Vladimir Herzog"

DITADURA NUNCA MAIS!!!
Na foto o jornalista Vladimir Herzog, morto em outubro de 1975

O general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva, em entrevista a Miriam Leitão, das Organizações Globo, disse ontem (1/3/2012) que a Comissão da Verdade, prevista em lei sancionada pela Presidência da República em Novembro de 2010, é “maniqueísta” e parcial porque seu objetivo é “promover o esclarecimento de torturas, mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres”. Acha ele que, para assegurar a imparcialidade da comissão, ela também deveria investigar atos de violência cometidos por aqueles que combatiam a ditadura.



Depois de sugerir que os desaparecimentos do deputado Rubens Paiva e de Stuart Angel só sensibilizam até hoje a opinião pública porque eles pertenciam às “classes favorecidas”, o general Rocha Paiva mostra duvidar de que a presidente Dilma Rousseff tenha sido torturada na época da ditadura. E, quando Miriam Leitão lembrou que “Vladimir Herzog foi se apresentar para depor e morreu”, Rocha Paiva questiona: “E quem disse que ele foi morto pelos agentes do Estado? Nisso há controvérsias. Ninguém pode afirmar.”


Como se alguém que se apresentara para depor não estivesse sob a guarda e a responsabilidade do Estado e de seus agentes. Como se assegurar a integridade física e a própria vida de um depoente, qualquer depoente, não fosse obrigação oficial fundamental do Estado e de seus agentes, a quem ele se apresentara. Como se a Justiça do Brasil já não houvesse reconhecido oficialmente, há 33 anos, em decorrência de processo movido pela viúva Clarice Herzog e seus filhos, que Vladimir Herzog foi preso, torturado e assassinado nos porões da ditadura, por agentes do Estado.

Além de tudo isso, posteriormente, em julgamento proferido no âmbito da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, criada pela Lei nº 9.140/96, o próprio Estado brasileiro ratificou o reconhecimento dessa prisão ilegal, tortura e morte.

Ao indagar, mais adiante, “Quando é que não houve tortura no Brasil?”, o general tenta justificar em sua entrevista os martírios que foram perpetrados pela ditadura deixando entender que torturar é uma atividade legitimada e consagrada pelos usos e costumes nacionais.

General, tortura nunca foi usos e costumes, nem no Brasil nem em lugar algum. Sempre foi e é a violação do império da lei, que condena quem tortura. Tanto que a nossa Constituição Federal é taxativa ao determinar que “ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante” (art.5º, inciso III). E impor o respeito à lei – não violá-la – é o dever precípuo mais básico dos agentes do Estado. Esses agentes estão cobertos pelo manto institucional, portanto exercem um poder infinitamente maior que qualquer outro cidadão.

É por isso, por ser um crime cometido pelo Estado – não por cidadãos comuns, julgados pela Justiça comum – que as torturas e mortes perpetradas por agentes do Estado e sob sua bandeira são o que precisa ser investigado e exposto pela Comissão da Verdade. Não acobertado pelo Estado ou por qualquer de suas instituições.

E a imparcialidade da Comissão estará em agir à luz da Justiça e da lei ao investigar e expor os crimes cometidos pelo Estado e seus agentes – não ao talante de quem detém o poder.

Tudo isso torna claro que a manifestação do general Luiz Eduardo Rocha Paiva atenta contra o Estado Democrático de Direito, também preconizado na Constituição Federal do Brasil, que tem entre seus fundamentos “a dignidade da pessoa humana”, além da República Federativa do Brasil reger-se nas suas relações internacionais pelos princípios, entre outros, da “prevalência dos direitos humanos” (Constituição Federal, arts. 1º, III, e 4º, II).

"INSTITUTO VLADIMIR HERZOG"

quinta-feira, 15 de março de 2012

Descoberto novo fóssil de hominídeo que conviveu com homem moderno

Hominídeo, que viveu há 14,5 mil anos na China, apresenta mistura de traços físicos arcaicos e modernos


Foto: Art Copyright by Peter Schouten
Ilustração de novo hominídeo descoberto em cavernas, em Maludong, na China

Fósseis encontrados em duas cavernas do sudoeste da China revelaram a existência de uma espécie de hominídeo até agora desconhecido. Os fósseis da Idade de Pedra apresentavam uma incomum mistura de traços físicos arcaicos e modernos, deixando uma nova pista sobre a evolução humana na Ásia.
Datando entre 14,5 mil e 11,5 mil anos, os fósseis são de hominídeos que conviveram com seres humanos modernos (Homo sapiens) em uma época em que a agricultura estava em seu princípio na China, revelou uma equipe internacional de especialistas no estudo publicado no periódico PLoS One.

Até agora não haviam sido encontrados, no leste do continente asiático, fósseis humanos de menos de 100 mil anos que se diferenciassem fisicamente do Homo sapiens, o que levou os cientistas a pensarem que não havia na região outras espécies de homínideos, quando apareceram os primeiros homens modernos. Com a nova descoberta, esta teoria está sendo posta em dúvida.
"Esses novos fósseis podem ser de uma espécie antes desconhecida que sobreviveu até o final da Idade do Gelo, há 11 mil anos", indicou Darren Curnoe da Universidade de Nova Gales do Sul, da Austrália, que liderou o estudo junto com Ji Xueping do Instituto de Arqueologia e Relíquias Culturais de Yunnan chinês.

De acordo com Curnoe, a outra opção seria que os fósseis se tratassem de representantes de uma migração da África muito adiantada e desconhecida de homens modernos que, no entanto, não contribuíram geneticamente para o homem atual. A equipe de pesquisadores é cautelosa em classificar os fósseis por causa do mosaico de características incomuns que eles apresentam.

Os restos de três indivíduos foram encontrados em 1989 por arqueólogos chineses em Maludong (na tradução do chinês, Caverna dos Cervos Vermelhos) perto da cidade de Mengzi, na província de Yunnan, mas só começaram a ser estudados em 2008 por cientistas chineses e australianos.
Um quarto esqueleto parcial apareceu em 1979 em uma caverna em Longlin, na região autônoma de Guangxi Zhuang, mas permaneceu no bloco de pedra onde foi descoberto até 2009, quando foi reconstruído.
Os crânios e dentes dos esqueletos encontrados em Maludong e Longlin são muito similares entre si.
Os cientistas apelidaram esses homens de "povo dos cervos vermelhos", já que caçavam esses animais hoje extintos e os cozinhavam na caverna de Maludong.
"A descoberta do povo dos cervos vermelhos abre um novo capítulo na história da evolução humana - o asiático - e é uma história que só agora está começando a ser incluída", afirmou Curnoe.
Embora a Ásia conte atualmente com mais da metade da população mundial, os cientistas ainda sabem pouco sobre como os humanos modernos evoluíram nessa localidade depois que seus ancestrais se fixaram na Eurásia há cerca de 70 mil anos.

Até o momento os estudos sobre as origens humanas se centraram principalmente na Europa e na África, devido em grande parte à ausência de fósseis na Ásia e ao desconhecimento da antiguidade dos poucos restos encontrados nessa zona.

Leia mais no ig:
Leia mais sobre novas espécies de homínideos:
Homínideo africano de 2 milhões de anos tem traços humanos
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Possível nova ancestral humana é achada na Sibéria
Estudo confirma: povos de fora da África têm genes de Neandertal
Genoma prova cruzamento entre Neandertal e o homem

Disponível em: http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/descoberto-novo-fossil-de-hominideo-que-conviveu-com-homem-moder/n1597693798867.html. Acesso em 15/03/2012.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

KARL POPPER, A FALSEABILIDADE E OS LIMITES DA CIÊNCIA




Filosofia da ciência


Carlos Roberto de Lana*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação


Karl Popper (1902-1994) definiu os limites da atividade científica



Karl Popper nasceu em 1902, praticamente junto com o século 20. Nessa época, a ciência parecia ter atingido o auge do prestígio. A revolução industrial iniciada na Inglaterra do século 18 se fundamentou na divisão e organização do trabalho e nas novas tecnologias que aproveitaram as possibilidades abertas pela ciência determinista de sir Isaac Newton.

A utilização maciça das aplicações técnicas do conhecimento científico produziu um período de progresso material acelerado, no qual a humanidade avançou mais em dois séculos neste campo do que nos quatro mil anos anteriores.

Esse progresso acelerado colocou o conhecimento científico numa posição de destaque, que, no século 19, culminou no cientificismo, a crença de que tudo poderia ser explicado pela ciência, que deveria ser colocada acima de todos os outros modos do saber.


Supervalorização da ciência


Essa combinação de fatores sócio-históricos gerou grandes distorções, como o fato de a ciência, tornada laica pelo iluminismo europeu, ganhar status religioso em doutrinas como o positivismo e outras, durante o século 19 e início do 20.

É neste ambiente de supervalorização do progresso científico e de deturpação da natureza original da ciência que surge Karl Popper, que se tornaria o mais influente e respeitado filósofo da ciência entre os homens que a fazem nos dias de hoje. Austríaco de nascimento e britânico por opção, Popper é o autor da definição atualmente mais aceita de teoria científica:

"Uma teoria científica é um modelo matemático que descreve e codifica as observações que fazemos. Assim, uma boa teoria deverá descrever uma vasta série de fenômenos com base em alguns postulados simples como também deverá ser capaz de fazer previsões claras as quais poderão ser testadas."

Com esta definição, a simplicidade e a clareza voltavam a ser virtudes identificadoras da boa ciência, que assim se separa das mistificações que nos dois séculos anteriores tentaram pegar carona em seu prestígio.


Observação e teorização


Popper defendeu que, se a ciência se baseia na observação e teorização, só se podem tirar conclusões sobre o que foi observado, nunca sobre o que não foi.

Assim, se um cientista observa milhares de cisnes, em muitos lugares diferentes e verifica que todos os cisnes observados são brancos, isto não lhe permite afirmar cientificamente que todos os cisnes são brancos, pois, não importa quantos cisnes brancos tenham sido observados, basta o surgimento de um único cisne negro para derrubar a afirmação de que eles não existiriam.

Assim, qualquer afirmação científica baseada em observação jamais poderá ser considerada uma verdade absoluta ou definitiva.

Uma teoria científica, no máximo, pode ser considerada válida até quando provada falsa por outras observações, testes e teorias, mais abrangentes ou exatos que a original.


Falseabilidade


A possibilidade de uma teoria ser refutada constituía para o filósofo a própria essência da natureza científica. Assim, uma teoria só pode ser considerada científica quando é falseável, ou seja, quando é possível prová-la falsa. Esse conceito ficou conhecido como falseabilidade ou refutabilidade.

Segundo Popper, o que não é falseável ou refutável não pode ser considerado científico. As teorias da
gravitação universal de sir Isaac Newton são científicas, por que além de se enquadrarem na definição ao propor equações simples que descrevem os modelos cósmicos gravitacionais, também é possível se fazer previsões acertadas com base nelas.

E as teorias de Newton também são falseáveis. Tanto que o foram, quando Albert Einstein com sua Teoria da Relatividade demonstrou que a mecânica newtoniana não era válida em velocidades próximas à da luz.



Teoria da relatividade



O clássico experimento do eclipse, no qual Einstein provou que a luz era afetada pelos campos gravitacionais e o experimento posterior, que provou que cronômetros de altíssima precisão postos em alta velocidade em relação à Terra apresentavam pequenos atrasos quando comparados a cronômetro idêntico mantido imóvel na superfície, trouxe a ciência aos novos tempos em que o tempo não mais era absoluto.

Mesmo assim, as teorias de Newton continuam válidas para a maioria das aplicações cotidianas, quando a influência da velocidade pode ser considerada desprezível para as aplicações práticas. A ciência mais uma vez mostrava seu poder de se renovar e melhorar a partir de suas próprias definições.

Por outro lado, seguindo as definições e o conceito da falseabilidade de Popper, a astrologia de horóscopo moderna não pode ser considerada científica.

Todo o gigantesco arcabouço da mecânica newtoniana, o mais prestigiado modelo científico de todos os tempos, foi falseado por dois experimentos simples e uma equação magistral (E = mC2).

Mas não existem experimentos possíveis que possam falsear a teoria de que a posição de determinados corpos celestes afetam a vida de pessoas nascidas em determinado período de determinada forma.

A abrangência das previsões e a falta de um modelo simples e claro que as expliquem tornam a astrologia de horóscopo não falseável e, portanto, não científica.


Limites da ciência


Com Popper, os limites da ciência se definem claramente. A ciência produz teorias falseáveis, que serão válidas enquanto não refutadas. Por este modelo, não há como a ciência tratar de assuntos do domínio da religião, que tem suas doutrinas como verdades eternas ou da filosofia, que busca verdades absolutas.

O melhor no velho filósofo, que se opôs ao nazismo e dedicou sua vida à defesa de boas causas, é que suas teorias se aplicam a elas próprias. Assim, se amanhã alguém redigir uma melhor definição de teoria científica, as idéias de Popper humildemente sairão de cena para tomar seu lugar na história da ciência.

Entre as muitas virtudes que nossa ciência adquiriu dos grandes sábios que lhe deram grandeza, Popper nos mostrou uma ciência que se faz grande na virtude da humildade.


*Carlos Roberto de Lana é professor e engenheiro químico.



domingo, 5 de fevereiro de 2012

Piratas da Somália - Os dois lados da moeda






Assista ao vídeo através desse link: http://youtu.be/vtjm51I2NWQ


Piratas da Somália - Um lado da moeda 
Por Fernando Rebouças 


São cidadãos somalis que atuam na costa da Somália, no Oceano Índico, e atacam navios cargueiros que atravessam o Golfo de Aden. Para saquear e sequestrar navios utilizam barcos de fibra de vidro, armamentos pesados e plano de ação executados por grupos de 10 a 50 homens.
Além de saquear dinheiro e produtos dos navios, ainda cobram recompensas pelo resgate dos tripulantes e embarcações , em média 2 milhões de dólares por cada navio. A pirataria somali está mais concentrada no Golfo de Aden, que em terra corresponde a região de Puntland, na corte norte da Somália.
As incursões dos piratas somalis são relacionadas com o enfraquecimento do Estado somali e do enfraquecimento de sua política interna, principalmente da União das Cortes Islâmicas. Sendo um dos países mais pobres do mundo, o governo somali nas últimas décadas sempre se colocou ausente perante as situações social e econômica do país.
Este cenário se agravou a partir dos anos 90, com a deposição de Siad Barre, o litoral pesqueiro é explorado somente para a pesca de subsistência, e a falta de uma patrulha estatal nas águas somalis permitiu o avanço dos piratas. Nos anos 2000, Um fraco governo de transição passou a ser apoiado pelo exército etíope, no país milhões de pessoas ainda vivem abaixo da linha de miséria e vitimados pela fome.
Em 2008, cerca de cem navios foram abordados na costa da Somália, gerando prejuízos para várias empresas e países exportadores. O desvio que empresas navais realizam para não passar pelo Golfo do Aden encarece a logística dos produtos transportados.

Fonteshttp://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2008/12/17/ult574u9029.jhtm
http://meridiano47.info/2008/11/23/consequencias-da-falencia-de-um-estado-pirataria-nas-aguas-da-somalia-por-evandro-farid-zago-xaman-korai-pinheiro-minillo/

Texto disponível em: http://www.infoescola.com/curiosidades/piratas-da-somalia/. Acesso em 03/02/12.

Piratas da Somália - O outro lado da moeda
Por BBC Brasil


As recentes capturas de navios de grande porte por piratas da Somália chamaram a atenção para o problema que atinge a região conhecida como Chifre da África.
Desde o sequestro de um petroleiro saudita em novembro do ano passado, que durou dois meses, as Marinhas de vários países estão deslocando forças para o local.
Trata-se de uma das mais importantes vias de navegação do mundo e também a mais perigosa, com 30% de todos os ataques de piratas do planeta.






Como os piratas capturam os navios?
Os piratas são muito eficientes no que fazem. Eles administram operações sofisticadas, usando os mais modernos equipamentos de alta tecnologia, como telefones por satélite e aparelhos de GPS.
Eles também possuem armamentos como lança-granadas e rifles AK-47, e contam com a ajuda de contatos posicionados em portos do Golfo de Áden (entre a Somália e o Iêmen), que os avisam sobre a movimentação dos navios.
Os piratas usam lanchas com motores potentes para se aproximarem de seu alvo. Às vezes, essas lanchas são lançadas de embarcações maiores posicionadas em alto mar.
Para se apoderarem dos navios, os piratas primeiro usam ganchos e barras de ferro --alguns também disparados por armas-- e sobem até o convés usando cordas e escadas. Em algumas ocasiões, eles disparam contra os navios para forçá-los a parar, o que facilita sua tomada.
Os piratas então conduzem a embarcação capturada até o porto de Eyl, na Somália, o centro das operações da pirataria. Ali, eles geralmente desembarcam os reféns, que são mantidos até o pagamento de um resgate.


Por que não se consegue conter os piratas?
Navios de guerra de pelo menos nove países estão atualmente operando no Golfo de Áden e nas águas fora da costa da Somália, mas isso pode ter apenas deslocado o problema.
O navio Sirius Star, capturado em novembro, estava a uma boa distância ao sul da costa somali quando foi pego. A área na mira dos piratas agora inclui quase 25% da superfície do Oceano Índico, tornando o patrulhamento virtualmente impossível. O Bureau Marítimo Internacional está aconselhando os donos das embarcações a adotar medidas como ter vigias e navegar a uma velocidade que os permita deixar os piratas para trás.
Entretanto, os piratas se deslocam extremamente rápido e, em geral, à noite. Portanto, muitas vezes é tarde demais para a tripulação se dar conta do que está ocorrendo.
Uma vez que os piratas tenham assumido o controle de um navio, a intervenção militar fica difícil por causa dos reféns a bordo.
Não existe uma legislação internacional para os acusados de pirataria, apensar de muitos terem sido julgados no Quênia, enquanto outros presos por militares franceses estão respondendo a julgamento na França.
Alguns diplomatas argumentam que é necessária uma corte internacional para esse tipo de crime, que tenha o apoio da ONU (Organização das Nações Unidas) e, além de uma prisão internacional para os condenados.
Em meados de dezembro passado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução autorizando os países a perseguir os piratas somalis também em terra --uma extensão para a permissão que os países já têm para entrar em águas territoriais somalis para perseguir os piratas.
Mas enquanto a Somália não tiver um governo efetivo, muitos acreditam que a "vida sem lei" que impera no país e em suas águas só tende a crescer.



Por que os piratas cometem esses crimes?
Por dinheiro. Os piratas tratam os navios, sua carga e seus tripulantes como reféns e exigem o pagamento de um resgate. O dinheiro que recebem é muito em um país onde não há emprego e onde quase metade da população precisa de alimentos, depois de 17 anos de vários conflitos civis.
O Ministério das Relações Exteriores do Quênia estima que os piratas tenham faturado US$ 150 milhões no ano passado com o pagamento de resgates.
Eles usam parte do dinheiro para custear novos sequestros, comprando mais armas e lanchas.


Como a pirataria afeta as pessoas fora da Somália?
Além dos prejuízos diretos para os envolvidos na indústria da navegação, o principal resultado é o encarecimento do frete com consequente aumento do preço das mercadorias transportadas. As empresas de transporte de carga passam adiante os custos de segurança, seguro, recompensa e combustível extra. Por fim, esse aumento chega ao consumidor comum. Estima-se que a pirataria tenha custado entre US$ 60 milhões e US$ 70 milhões em 2008.