"Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém" Carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios

"Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém [...]". (Carta do Apóstolo Paulo aos cristãos. Coríntios 6:12) Tudo posso, tudo quero, mas eu devo? Quero, mas não posso. Até posso, se burlar a regra; mas eu devo? Segundo o filósofo Mário Sérgio Cortella, ética é o conjunto de valores e princípios que [todos] usamos para definir as três grandes questões da vida, que são: QUERO, DEVO, POSSO. Tem coisas que eu quero, mas não posso. Tem coisas que eu posso, mas não devo. Tem coisas que eu devo, mas não quero. Cortella complementa "Quando temos paz de espírito? Temos paz de espítito quando aquilo que queremos é o que podemos e é o que devemos." (Cortella, 2009). Imagem Toscana, Itália.















terça-feira, 24 de janeiro de 2012

TIPOS DE CONHECIMENTO - DO EMPIRISMO À CIÊNCIA



"Em estado de dúvida, suspende o juízo."
Pitágoras de Samos (580 a.C. - 497 a.C.) foi um filósofo e matemático grego.
É considerado um dos grandes matemáticos da Antiguidade

Desde os primórdios da humanidade, a preocupação em conhecer e explicar a natureza é uma constante. Ao analisar a palavra francesa para conhecer , tem-se connaissance, que significa nascer (naissance) com (con), logo se concluí que o conhecimento é passado de geração a geração, tornando-se parte da cultura e da história de uma sociedade.
Para conhecer, os homens interpretam a realidade e colocam um pouco de si nesta interpretação, assim, o processo de conhecimento prova que ele está

sempre em construção, visto que para cada novo fato tem-se uma análise nova, impregnada das experiências anteriores. Dessa forma, a busca pelo entendimento de si e do mundo ao seu redor, levou o homem a trilhar caminhos variados, que ao longo dos anos constituíram um vasto leque de informações que acabaram por constituir as diretrizes de várias sociedades. Algumas dessas informações eram obtidas através de experiências do cotidiano que levavam o homem a desenvolver habilidades para lidar com as situações do dia a dia. Outras vezes, por não dominar determinados fenômenos, o homem atribuía-lhes causas sobrenaturais ou divinas, desenvolvendo um conhecimento abstrato a respeito daquilo que não podia ser explicado materialmente. Assim, o conhecimento foi se dividindo da seguinte forma: empírico, teológico, filosófico e científico.

                                           
Conhecimento Empírico

O conhecimento empírico é também chamado de conhecimento popular ou comum. É aquele obtido no dia a dia, independentemente de estudos ou critérios de análise. Foi o primeiro nível de contato do homem com o mundo, acontecendo através de experiências casuais e de erros e acertos. É um conhecimento superficial, raso; onde o indivíduo, por exemplo, sabe que nuvens escuras é sinal de mau tempo, contudo não tem ideia da dinâmica das massas de ar, da umidade atmosférica ou de qualquer outro princípio da climatologia. Enfim, ele não tem a intenção de ser profundo, mas sim, básico.

“Adquire-se independentemente de estudos, pesquisas, reflexões ou aplicações de métodos” (FACHIN, 2002, p. 9).
“É conseguido na vida cotidiana, fundamentado em experiências vivenciadas ou transmitidas de pessoa para pessoa, fazendo parte das antigas tradições [...]”. (FACHIN, 2002).
“Pode também derivar de experiências casuais sem fundamentações.” (FACHIN, 2002; OLIVEIRA, 1999). “É considerado um conhecimento prático, pois sua ação se processa segundo os conhecimentos adquiridos nas ações anteriores, sem nenhuma relação científica metódica ou teórica.” (FACHIN, 2002, p. 10).

Conhecimento Teológico

É o conhecimento relacionado ao misticismo, à fé, ao divino, ou seja, à existência de um Deus, seja ele o Sol, a Lua, Jesus, Maomé, Buda, ou qualquer outro que represente uma autoridade suprema. O Conhecimento Teológico, de forma geral, encontra seu ápice respondendo aquilo que a ciência não consegue responder, visto que ele é incontestável, já que se baseia na certeza da existência de um ser supremo (Fé). Os conhecimentos ou verdades teológicas estão registrados em livros sagrados, que não seguem critérios científicos de verificação e são revelados por seres iluminados como profetas ou santos, que estão acima de qualquer contestação por receberem tais ensinamentos diretamente de um Deus.

“Produto de intelecto do ser humano que recai sobre a fé” (FACHIN, 2002, p. 8).
De um modo geral apresenta respostas para questões que o ser humano não pode responder, ligados a fé (FACHIN, 2002; OLIVEIRA, 1999).

Conhecimento Filosófico

A palavra Filosofia surgiu com Pitágoras através da união dos vocábulos PHILOS (amigo) + SOPHIA (sabedoria) (RUIZ, 1996, p.111). Os primeiros relatos do pensamento filosófico datam do século VI a.C., na Ásia e no Sul da Itália (Grécia Antiga). A filosofia não é uma ciência propriamente dita, mas um tipo de saber que procura desenvolver no indivíduo a capacidade de raciocínio lógico e de reflexão crítica, sem delimitar com exatidão o objeto de estudo. Dessa forma, o conhecimento filosófico não pode ser verificável, o que o torna sob certo ponto de vista, infalível e exato. Apesar da filosofia não ter aplicação direta à realidade, existe uma profunda interdependência entre ela e os demais níveis de conhecimento. Essa relação deriva do fato que o conhecimento filosófico conduz à elaboração de princípios universais, que fundamentam os demais, enquanto se vale das informações empíricas, teológicas ou científicas para prosseguir na sua evolução.

“Desenvolver no ser humano a possibilidade de reflexão ou a capacidade de raciocínio” (FACHIN, 2002, p. 5). É uma busca do saber (FACHIN, 2002).
A filosofia (reflexão crítica) deve ser uma atitude de todos que se propõem a fazer qualquer estudo (FACHIN, 2002). Procura conhecer as causas reais dos fenômenos, não as causas próximas (OLIVEIRA, 1999).
Existem duas fases que conduzem à reflexão: a primeira parte de objetos reais e é denominada realismo e a segunda parte de idéias e é denominada idealismo (FACHIN, 2002).

Conhecimento Científico

A ciência é uma necessidade do ser humano que se manifesta desde a infância. É através dela que o homem busca o constante aperfeiçoamento e a compreensão do mundo que o rodeia por meio de ações sistemáticas, analíticas e críticas. Ao contrário do empirismo, que fornece um entendimento superficial, o conhecimento científico busca a explicação profunda do fenômeno e suas inter-relações com o meio. Diferentemente do filosófico, o

conhecimento científico procura delimitar o objeto alvo, buscando o rigor da exatidão, que pode ser temporária, porém comprovada. Deve ser provado com clareza e precisão, levando à elaboração de leis universalmente válidas para todos os fenômenos da mesma natureza. Ainda assim, ele está sempre  sob júdice, podendo ser revisado ou reformulado a qualquer tempo, desde que se possa provar sua ineficácia.

“Caracteriza-se pela presença do acolhimento metódico e sistemático dos fatos da realidade sensível” (FACHIN, 2002, p. 11).
Preocupa-se com a abordagem sistemática dos fenômenos, tendo em vista termos relacionais que implicam relação causa e efeito (FACHIN, 2002).
O conhecimento científico possui um método, se prende aos fatos e se vale da testagem empírica para formular respostas aos problemas colocados e apoiar suas afirmações (FACHIN, 2002). Seu objetivo é “estudar as causas reais dos fenômenos e descobrir as leis pelas quais eles regem” (OLIVEIRA, 1999, p. 71).
Procura sempre alcançar a verdade dos fatos independente de valores ou crenças dos cientistas e resulta de pesquisa metódica e sistemática da realidade (FACHIN, 2002).
* SILVA, Renata; TAFNER, Elisabeth Penzlien. Metodologia da Pesquisa Científica. Associação Educacional do vale do Itajaí Mirim.

Imagem disponível em: <http://filosofiadacoruja.blogspot.com/2009_11_01_archive.html>. Acesso em 24/01/2012.
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