"Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém" Carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios

"Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém [...]". (Carta do Apóstolo Paulo aos cristãos. Coríntios 6:12) Tudo posso, tudo quero, mas eu devo? Quero, mas não posso. Até posso, se burlar a regra; mas eu devo? Segundo o filósofo Mário Sérgio Cortella, ética é o conjunto de valores e princípios que [todos] usamos para definir as três grandes questões da vida, que são: QUERO, DEVO, POSSO. Tem coisas que eu quero, mas não posso. Tem coisas que eu posso, mas não devo. Tem coisas que eu devo, mas não quero. Cortella complementa "Quando temos paz de espírito? Temos paz de espítito quando aquilo que queremos é o que podemos e é o que devemos." (Cortella, 2009). Imagem Toscana, Itália.















segunda-feira, 28 de outubro de 2013

FRANCIS BACON E A CRÍTICA AOS IDOLOS


 
Em meados dos séculos XVI e XVII no reinado da Rainha Elizabeth I, a Inglaterra passava por um período de mineração e industrialização. E neste mesmo período nascia um dos mais célebres filósofos ingleses, Francis Bacon. Tendo exercido um significativo papel na vida política daquela sociedade, conseguiu o título de conselheiro da Coroa.  Mas também eram muitos os inimigos que o cercavam, e quando lhe foi tomado o poder em virtude de acusações políticas, seu trabalho intelectual se tornou mais intenso.  Dedicando-se a suas experiências, no inverno de 1626 recheava uma galinha com neve para saber quanto tempo o frio conservaria a carne, mas não resistiu o rigoroso frio e acabou falecendo com bronquite.
Em sua teoria do conhecimento, Francis Bacon propõe um novo método indutivo, o qual ofereceu uma profunda contribuição aos métodos de investigação da natureza.
Além das contundentes críticas aos filósofos clássicos, rompeu com uma tradição filosófica de mais de dois mil anos e com a religião da época.  Acreditava numa filosofia que favorecesse a humanidade com seus métodos experimentais, era totalmente a favor de ciência moderna que libertasse o homem de seus ídolos.
Bacon denominou ídolos as falsas noções que bloqueiam a mente e invadem o intelecto humano impossibilitando o acesso à verdade e gera dificuldades em relação às ciências, quando não os combatemos. [Marx chamaria de questões ideológicas]. Em sua teoria, os ídolos se classificam em quatro categorias: ídolos da tribo, ídolos da caverna, ídolos da foro e ídolos do teatro.
Os ídolos da tribo são aqueles que se apoderam da própria natureza humana e não levam em conta o aprendizado sobre o universo, produzem uma certa espécie de superstição. Podemos dizer que ele tem sua origem nas ações humanas, nas limitações, preconceitos, sentimentos, incompetência. Um exemplo é a falsa ciência da cabala de sua época que imaginava uma realidade não inexistente numérica e os alquimistas que pensavam na atividade da natureza como na atividade humana, encontrando amor e ódio pelos fenômenos.  Ou também eles podem ser como um espelho que capta uma imagem de raio e a transmite de outra forma.
Os ídolos da caverna fazem uma alusão à alegoria da caverna de Platão. Para o autor,  cada um tem a sua própria caverna, tem os seu jeito próprio de interpretar a natureza, todos os indivíduos veem sua própria luz por ângulos diferentes e cometem erros diversos.  Com isso a luz da natureza entra em choque com a luz humana, pois cada um tem os seus ídolos da educação, do esporte, da cultura, da autoridade e daqueles que honra e admira a diversidade das falsas verdades que vão ocupando o intelecto humano.
Os ídolos do foro ou do mercado podem ser um dos mais incômodos, pois podem invadir o intelecto através das palavras. São aqueles erros encontrados nas palavras ou nos discursos humanos quando o diálogo sai ao contrário ou a palavra é distorcida pelos homens “sábios” que usam de suas oratórias para enfatizar o discurso.  Segundo Bacon, “as palavras cometem uma grande violência ao intelecto e perturbam os raciocínios, arrastando os homens a inumeráveis controvérsias e vãs considerações” (REALE, 1990, p.339).
Os ídolos do teatro são aquelas teorias que não têm harmonia com a natureza humana ou obras filosóficas que se consagraram figurando mundos fictícios, como aquelas que encontramos na filosofia antiga ou nas tradições religiosas.  Bacon acusa Aristóteles de ter sido um dos piores sofistas e Platão de ter confundido filosofia com teologia.
Para expulsá-los é preciso ter conhecimento dos mesmos a fim de expurgá-los da mente, além de conhecer um novo método. É a verdadeira indução o método proposto, pelo qual o homem poderia construir uma nova ciência capaz de interpretar corretamente a natureza e realizar os anseios do espírito moderno.

 
Referências
BACON, Francis. Novum Organum. 2.ed. Trad. José Aloísio Reis de Andrade. São Paulo: Abril cultural, 1979. (Os Pensadores)
REALE, Geovani. Historia da Filosofia. vol.II. São Paulo: Paulinas, 1990.
 
 
 
Francis Bacon é um filósofo de uma tradição platônica, que divide o real e o aparente. Porém, a partir de Bacon, o real e o aparente ganham a ideia de real e ideológico, sendo que o ideológico é o aparente necessário. Aquilo que o indivíduo vê, se engana, porque não é o real, mas não pode escapar porque ele faz parte da sua visão, ou seja, a visão do indivíduo é necessariamente deturpada. No começo da modernidade, em sua obra “O parto masculino do tempo, Bacon faz uma crítica ácida aos filósofos antigos renascentistas e escolásticos. Segundo ele, todos estes não se ocuparam do ponto central da filosofia que é considerar o ser humano como um ser racional. Em seu método, Bacon irá considerar que existem dois princípios de formulação do conhecimento. O primeiro deles é a antecipação da natureza, ou seja, a natureza imprimi sobre o indivíduo cognoscente, formas perceptivas que segundo ele se agarram à razão. É nesse momento que entra a centralidade do método que se chama “As interpretações da natureza”.  A partir dessas interpretações seguem-se duas linhas: a Pars Destruens, que é a eliminação de fenômenos desinteressantes ao conhecimento proposto e a Pars Construens, ou seja, as considerações do cientista ou filósofo sobre esse novo conhecimento. O objetivo da Pars Destruens é eliminar as Idolas, doutrina que Bacon formula para justificar aquilo que tem que ser eliminado do conhecimento para que este seja verdadeiro no processo indutivo e que Marx irá denominar de questões ideológicas. Existem, portanto, quatro tipos de Idolas: as Idolas da Tribo, as Idolas da Caverna, as Idolas do Foro e as Idolas e as Idolas do Teatro.
 
Cognoscente:
1. Que conhece, que toma conhecimento: O conhecimento reside na mente do sujeito cognoscente.

2. Sujeito cognoscente: O cognoscente tem autonomia no processo de construção de seu conhecimento.
[F.: Do lat. cognoscens, entis, part. presente de cognoscere 'conhecer, tomar conhecimento
 
QUESTÃO:
Faça uma análise crítica e interpretativa, a partir do texto, sobre cada uma das Idolas que Bacon aponta que precisam ser eliminadas do conhecimento, para que o cientista veja a realidade nua e crua, como ela é e não como ela aparenta ser.
 

16 comentários:

  1. O intelecto humano é bloqueado por 4 Idolas: da tribo, da caverna, do mercado e do teatro. O primeiro fala do conhecimento humano limitado à superstições, que impedem que esse questione o mundo. O segundo fala que cada um interpreta as coisas de um jeito próprio, não existindo apenas um ponto de vista. O terceiro fala que a palavra é distorcida pelos sábios afim de atingir seus próprios ideais, o que tem ligação com o segundo. O quarto fala que devemos separar o conhecimento do mundo real do mundo fictício, pois o que não é real não deve ser considerado conhecimento. Danilo Cesar Santos e Flávio Augusto 3º EM

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  2. Para Fracis Bacon a Idolo da Tribo é uma analíse deturpada da realidade, em que os individuos separam a realidade e o mundo imaginário. Idolo da Caverna faz uma analogia ao conto da Caverna de Platão, em que os individuos são presos e nao conseguem se libertar para o conhecimento mundano. Idolo do Foro é o individuo que usa as palavras como uma arma para atingir o outro. Idolo do Teatro não tem harmonia com a filosofia, tomando-se apenas poor questões religiosas ou melhor dizendo a filosofia antiga. Yuri Demartini e Alícia Tonetto.

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    1. Penso que o certo seja Francis e não Fracis.

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    2. Penso que o senhor Leonardo deveria cuidar da própria resposta ao invés de torrar a paciência dos outros.

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  3. Para Bacon, a descoberta de fatos verdadeiros não depende do raciocínio silogístico aristotélico mas sim da observação e da experimentação regulada pelo raciocínio indutivo. O conhecimento verdadeiro é resultado da concordância e da variação dos fenômenos que, se devidamente observados, apresentam a causa real dos fenômenos.

    João Vitor Neri Nº22

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  4. Idolos da tribo: são os defeitos do próprio ser humano, ou seja, as distorções que ele faz do universo.
    Idolos da caverna: cada pessoa possui sua propria caverna, sua propria crença e sua propria verdade.
    Idolos do mercado: é o mais incomodo pois atraves da palavra invade o intelecto do individuo, causando distorções do mesmo.
    Idolos do teatro: são as ideologias produzidas através do teatro da ilusão, não se relacionam com a natureza humana.

    Bruna e Francisco.

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  5. Primeiramente, Bacon fala sobre o Ídolo da tribo, este leva em consideração a crença do homem e suas superstições. Segundo, o ídolo da caverna, o qual o homem interpreta a natureza a sua maneira, desconsiderando uma visão mais ampla no universo do conhecimento. Terceiro, vem o ídolo do foro, aquele que distorce as informações através de erros ou falsas interpretações. Por ultimo, Bacon considera o ídolo do teatro, onde as teorias são fictícias, iludindo o homem e dependendo de cada umas das interpretações, tendo relação com o ídolo do foro. Todos estes ídolos propostos por Bacon, são considerados fatores que atrapalham na real visualização da verdade em relação ao mundo. Nivea e Stella.

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  6. Natália Germano e Michelle Esteves29 de outubro de 2013 07:18

    Francis Bacon era totalmente a favor de ciência moderna que libertasse o homem de seus ídolos. Considerava ídolo as falsas noções que bloqueiam a mente e invadem o intelecto humano impossibilitando o acesso à verdade e gera dificuldades em relação às ciências. Em sua teoria, os ídolos se classificam em quatro categorias: ídolos da tribo, ídolos da caverna, ídolos da foro e ídolos do teatro.
    Os ídolos da tribo são aqueles que se apoderam da própria natureza humana e não levam em conta o aprendizado sobre o universo, produzem uma certa espécie de superstição, como os alquimistas.
    Os ídolos da caverna fazem uma alusão à alegoria da caverna de Platão. Para o autor, cada um tem a sua própria caverna, tem os seu jeito próprio de interpretar a natureza, todos os indivíduos veem sua própria luz por ângulos diferentes e cometem erros diversos.
    Os ídolos do foro ou do mercado podem ser um dos mais incômodos, pois podem invadir o intelecto através das palavras. São aqueles erros encontrados nas palavras ou nos discursos humanos quando o diálogo sai ao contrário ou a palavra é distorcida pelos homens “sábios” que usam de suas oratórias para enfatizar o discurso.
    Os ídolos do teatro são aquelas teorias que não têm harmonia com a natureza humana ou obras filosóficas que se consagraram figurando mundos fictícios, como aquelas que encontramos na filosofia antiga ou nas tradições religiosas
    Segundo Bacon, para expulsá-los é preciso ter conhecimento dos mesmos a fim de expurgá-los da mente, além de conhecer um novo método. É a verdadeira indução o método proposto, pelo qual o homem poderia construir uma nova ciência capaz de interpretar corretamente a natureza e realizar os anseios do espírito moderno.

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  7. O intelecto humano é bloqueado por 4 Idolas: da tribo, da caverna, do mercado e do teatro. O Idolo da Tribo é uma analíse deturpada da realidade, em que os individuos separam a realidade e o mundo imaginário. Os ídolos da caverna fazem uma alusão à alegoria da caverna de Platão. Os ídolos do foro são os erros encontrados nas palavras e nos discursos humanos.
    Débora e Leonardo

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  8. De acordo com Bacon ha quatro idolos que precisam ser ignorados pelo conhecimento.O primeiro relata o heroi da floresta, o indio que suas bases de conhecimento adquirem por praticas ou conhecimentos de antepassados.em contrapartida os ídolos da caverna relatam que cada um tem o seu jeito de ser ''cada um tem a sua caverna''.o terceiro idolo, o idolo do foro são erros encontrados nas palavras ou nos discursos humanos quando o diálogo sai ao contrário ou a palavra é distorcida pelos homens “sábios” que usam de suas oratórias para enfatizar o discurso e por ultimo os idolos do teatro representam as teorias que não condizem com a natureza humana Lucas Flaquer & Eduardo

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  9. Para Bacon as Idolas (da tribo, da caverna, do mercado e do teatro) eram obstáculos que bloqueiam o intelecto do ser humano.
    Idolos da Tribo : são aqueles que se apoderam da própria natureza humana e não levam em conta o aprendizado sobre o universo
    Idolos da Caverna : Cada ser tem os seu jeito próprio de interpretar a natureza, ocorrendo um conflito entre a Natureza e a Luz humana.
    Idolos do Mercado : é a distorção das palavras feita pelos homens sábios
    Idolos do Teatro : são aquelas teorias que não têm harmonia com a natureza humana.
    Lucas de Morais e Renan B. Abud

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  10. Os ídolos da tribo são aqueles que se apoderam da própria natureza humana e não levam em conta o aprendizado sobre o universo, produzem uma certa espécie de superstição. Os ídolos da caverna fazem uma alusão à alegoria da caverna de Platão. Para ele, cada um tem a sua própria caverna, tem os seu jeito próprio de interpretar a natureza. Os ídolos do foro podem ser um dos mais incômodos, pois podem invadir o intelecto através das palavras. São aqueles erros encontrados nas palavras ou nos discursos humanos quando o diálogo sai ao contrário. Os ídolos do teatro são aquelas teorias que não têm harmonia com a natureza humana ou obras filosóficas que se consagraram figurando mundos fictícios, como aquelas que encontramos na filosofia antiga ou nas tradições religiosas. Para expulsá-los é preciso ter conhecimento dos mesmos a fim de expurgá-los da mente, além de conhecer um novo método.

    André X., Filipe L. Garrido e Mateus Godoy

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  11. DANILO T., DAVIDSON E FELIPE L.29 de outubro de 2013 07:29

    DANILO T., DAVIDSON E FELIPE L.
    Análise: As Idolas, formadas assim por experiências nas quais constituem ideias interpretativas, criam uma ciência empírica sobre o pensamentos da realidade do mundo naquela época, cuja formam estruturas de pensamentos contraditórios aos reais (Francis Bacon). As 4 Idolas era a da tribo (individualistas com pensamentos de acordo com a natureza humana, sem um aprendizado sobre o universo), caverna (pensavam em ideias individuais, que cada um vivia e interpretava sua vida como um todo), forro (manipulação dos homens “sábios” em seus discursos para pesuadir as contrações de outras pessoas) e teatro (ideais fictícios, sem um rumo na natureza humana, delas surgiam mitos e ficções da religião).

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  12. Os ídolos da tribo são as pessoas que possuem um conhecimento superficial e conseguem utilizá-lo em sua vida, porem este conhecimento não é verdadeiro.
    Os ídolos da tribo tratam-se de indivíduos com uma percepção errada sobre do mundo a sua volta, o que os leva em acreditar em falsas verdades.
    Já os ídolos do foro ou do mercado são as palavras ou discursos usados com sentido errado para manipular as pessoas.
    Por fim, os ídolos do teatro são teorias desconexas com a natureza ou obras filosóficas, ou seja, elas aparentam ser teorias mas não são, pois não possuem embasamento.
    Miriam Lais Oliveira.

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  13. Os ídolos do teatro têm suas causas nos sistemas filosóficos e em regras falseadas de demonstrações. Os ídolos do teatro, para Bacon, eram os mais perigosos, porque em sua época predominava o princípio da autoridade (os livros da antiguidade e os livros sagrados eram considerados a fonte de todo o conhecimento.).
    Os ídolos do foro são os mais perturbadores, já que estes alojam-se no intelecto graças ao pacto de palavras e de nomes. As palavras possuem certo grau de distorção e erro, sendo que umas possuem maior distorção e erro que outras.
    Os ídolos da caverna, de acordo com Bacon, é que cada pessoa possui sua própria caverna, que interpreta e distorce a luz particular, à qual estão acostumados. Isso quer dizer que cada um dos indivíduos possui a sua crença, sua verdade particular, tida como única e indiscutível.
    Os ídolos da tribo tem com característica as deficiências do próprio espírito humano e se revelam pela facilidade com que generalizamos com base nos casos favoráveis, omitindo os desfavoráveis. O homem é o padrão das coisas, faz com que todas as percepções dos sentidos e da mente sejam tomadas como verdade, sendo que pertencem apenas ao homem e não ao universo.

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  14. A falta do raciocínio humano causado pela ignorância somada a herança animal da procriação escraviza e confundem a mente humana que por conta da líbido luta incessantemente na busca da satisfação ,justificada pela preservação da espécie e por ela comete loucuras e quando dessa insana viagem os mais inteligentes e racionais se aproveitam e escravizam todos e assim como perceber a essência da vida ?

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