"Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém" Carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios

"Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém [...]". (Carta do Apóstolo Paulo aos cristãos. Coríntios 6:12) Tudo posso, tudo quero, mas eu devo? Quero, mas não posso. Até posso, se burlar a regra; mas eu devo? Segundo o filósofo Mário Sérgio Cortella, ética é o conjunto de valores e princípios que [todos] usamos para definir as três grandes questões da vida, que são: QUERO, DEVO, POSSO. Tem coisas que eu quero, mas não posso. Tem coisas que eu posso, mas não devo. Tem coisas que eu devo, mas não quero. Cortella complementa "Quando temos paz de espírito? Temos paz de espítito quando aquilo que queremos é o que podemos e é o que devemos." (Cortella, 2009). Imagem Toscana, Itália.















terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

KARL POPPER, A FALSEABILIDADE E OS LIMITES DA CIÊNCIA




Filosofia da ciência


Carlos Roberto de Lana*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação


Karl Popper (1902-1994) definiu os limites da atividade científica



Karl Popper nasceu em 1902, praticamente junto com o século 20. Nessa época, a ciência parecia ter atingido o auge do prestígio. A revolução industrial iniciada na Inglaterra do século 18 se fundamentou na divisão e organização do trabalho e nas novas tecnologias que aproveitaram as possibilidades abertas pela ciência determinista de sir Isaac Newton.

A utilização maciça das aplicações técnicas do conhecimento científico produziu um período de progresso material acelerado, no qual a humanidade avançou mais em dois séculos neste campo do que nos quatro mil anos anteriores.

Esse progresso acelerado colocou o conhecimento científico numa posição de destaque, que, no século 19, culminou no cientificismo, a crença de que tudo poderia ser explicado pela ciência, que deveria ser colocada acima de todos os outros modos do saber.


Supervalorização da ciência


Essa combinação de fatores sócio-históricos gerou grandes distorções, como o fato de a ciência, tornada laica pelo iluminismo europeu, ganhar status religioso em doutrinas como o positivismo e outras, durante o século 19 e início do 20.

É neste ambiente de supervalorização do progresso científico e de deturpação da natureza original da ciência que surge Karl Popper, que se tornaria o mais influente e respeitado filósofo da ciência entre os homens que a fazem nos dias de hoje. Austríaco de nascimento e britânico por opção, Popper é o autor da definição atualmente mais aceita de teoria científica:

"Uma teoria científica é um modelo matemático que descreve e codifica as observações que fazemos. Assim, uma boa teoria deverá descrever uma vasta série de fenômenos com base em alguns postulados simples como também deverá ser capaz de fazer previsões claras as quais poderão ser testadas."

Com esta definição, a simplicidade e a clareza voltavam a ser virtudes identificadoras da boa ciência, que assim se separa das mistificações que nos dois séculos anteriores tentaram pegar carona em seu prestígio.


Observação e teorização


Popper defendeu que, se a ciência se baseia na observação e teorização, só se podem tirar conclusões sobre o que foi observado, nunca sobre o que não foi.

Assim, se um cientista observa milhares de cisnes, em muitos lugares diferentes e verifica que todos os cisnes observados são brancos, isto não lhe permite afirmar cientificamente que todos os cisnes são brancos, pois, não importa quantos cisnes brancos tenham sido observados, basta o surgimento de um único cisne negro para derrubar a afirmação de que eles não existiriam.

Assim, qualquer afirmação científica baseada em observação jamais poderá ser considerada uma verdade absoluta ou definitiva.

Uma teoria científica, no máximo, pode ser considerada válida até quando provada falsa por outras observações, testes e teorias, mais abrangentes ou exatos que a original.


Falseabilidade


A possibilidade de uma teoria ser refutada constituía para o filósofo a própria essência da natureza científica. Assim, uma teoria só pode ser considerada científica quando é falseável, ou seja, quando é possível prová-la falsa. Esse conceito ficou conhecido como falseabilidade ou refutabilidade.

Segundo Popper, o que não é falseável ou refutável não pode ser considerado científico. As teorias da
gravitação universal de sir Isaac Newton são científicas, por que além de se enquadrarem na definição ao propor equações simples que descrevem os modelos cósmicos gravitacionais, também é possível se fazer previsões acertadas com base nelas.

E as teorias de Newton também são falseáveis. Tanto que o foram, quando Albert Einstein com sua Teoria da Relatividade demonstrou que a mecânica newtoniana não era válida em velocidades próximas à da luz.



Teoria da relatividade



O clássico experimento do eclipse, no qual Einstein provou que a luz era afetada pelos campos gravitacionais e o experimento posterior, que provou que cronômetros de altíssima precisão postos em alta velocidade em relação à Terra apresentavam pequenos atrasos quando comparados a cronômetro idêntico mantido imóvel na superfície, trouxe a ciência aos novos tempos em que o tempo não mais era absoluto.

Mesmo assim, as teorias de Newton continuam válidas para a maioria das aplicações cotidianas, quando a influência da velocidade pode ser considerada desprezível para as aplicações práticas. A ciência mais uma vez mostrava seu poder de se renovar e melhorar a partir de suas próprias definições.

Por outro lado, seguindo as definições e o conceito da falseabilidade de Popper, a astrologia de horóscopo moderna não pode ser considerada científica.

Todo o gigantesco arcabouço da mecânica newtoniana, o mais prestigiado modelo científico de todos os tempos, foi falseado por dois experimentos simples e uma equação magistral (E = mC2).

Mas não existem experimentos possíveis que possam falsear a teoria de que a posição de determinados corpos celestes afetam a vida de pessoas nascidas em determinado período de determinada forma.

A abrangência das previsões e a falta de um modelo simples e claro que as expliquem tornam a astrologia de horóscopo não falseável e, portanto, não científica.


Limites da ciência


Com Popper, os limites da ciência se definem claramente. A ciência produz teorias falseáveis, que serão válidas enquanto não refutadas. Por este modelo, não há como a ciência tratar de assuntos do domínio da religião, que tem suas doutrinas como verdades eternas ou da filosofia, que busca verdades absolutas.

O melhor no velho filósofo, que se opôs ao nazismo e dedicou sua vida à defesa de boas causas, é que suas teorias se aplicam a elas próprias. Assim, se amanhã alguém redigir uma melhor definição de teoria científica, as idéias de Popper humildemente sairão de cena para tomar seu lugar na história da ciência.

Entre as muitas virtudes que nossa ciência adquiriu dos grandes sábios que lhe deram grandeza, Popper nos mostrou uma ciência que se faz grande na virtude da humildade.


*Carlos Roberto de Lana é professor e engenheiro químico.



domingo, 5 de fevereiro de 2012

Piratas da Somália - Os dois lados da moeda






Assista ao vídeo através desse link: http://youtu.be/vtjm51I2NWQ


Piratas da Somália - Um lado da moeda 
Por Fernando Rebouças 


São cidadãos somalis que atuam na costa da Somália, no Oceano Índico, e atacam navios cargueiros que atravessam o Golfo de Aden. Para saquear e sequestrar navios utilizam barcos de fibra de vidro, armamentos pesados e plano de ação executados por grupos de 10 a 50 homens.
Além de saquear dinheiro e produtos dos navios, ainda cobram recompensas pelo resgate dos tripulantes e embarcações , em média 2 milhões de dólares por cada navio. A pirataria somali está mais concentrada no Golfo de Aden, que em terra corresponde a região de Puntland, na corte norte da Somália.
As incursões dos piratas somalis são relacionadas com o enfraquecimento do Estado somali e do enfraquecimento de sua política interna, principalmente da União das Cortes Islâmicas. Sendo um dos países mais pobres do mundo, o governo somali nas últimas décadas sempre se colocou ausente perante as situações social e econômica do país.
Este cenário se agravou a partir dos anos 90, com a deposição de Siad Barre, o litoral pesqueiro é explorado somente para a pesca de subsistência, e a falta de uma patrulha estatal nas águas somalis permitiu o avanço dos piratas. Nos anos 2000, Um fraco governo de transição passou a ser apoiado pelo exército etíope, no país milhões de pessoas ainda vivem abaixo da linha de miséria e vitimados pela fome.
Em 2008, cerca de cem navios foram abordados na costa da Somália, gerando prejuízos para várias empresas e países exportadores. O desvio que empresas navais realizam para não passar pelo Golfo do Aden encarece a logística dos produtos transportados.

Fonteshttp://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2008/12/17/ult574u9029.jhtm
http://meridiano47.info/2008/11/23/consequencias-da-falencia-de-um-estado-pirataria-nas-aguas-da-somalia-por-evandro-farid-zago-xaman-korai-pinheiro-minillo/

Texto disponível em: http://www.infoescola.com/curiosidades/piratas-da-somalia/. Acesso em 03/02/12.

Piratas da Somália - O outro lado da moeda
Por BBC Brasil


As recentes capturas de navios de grande porte por piratas da Somália chamaram a atenção para o problema que atinge a região conhecida como Chifre da África.
Desde o sequestro de um petroleiro saudita em novembro do ano passado, que durou dois meses, as Marinhas de vários países estão deslocando forças para o local.
Trata-se de uma das mais importantes vias de navegação do mundo e também a mais perigosa, com 30% de todos os ataques de piratas do planeta.






Como os piratas capturam os navios?
Os piratas são muito eficientes no que fazem. Eles administram operações sofisticadas, usando os mais modernos equipamentos de alta tecnologia, como telefones por satélite e aparelhos de GPS.
Eles também possuem armamentos como lança-granadas e rifles AK-47, e contam com a ajuda de contatos posicionados em portos do Golfo de Áden (entre a Somália e o Iêmen), que os avisam sobre a movimentação dos navios.
Os piratas usam lanchas com motores potentes para se aproximarem de seu alvo. Às vezes, essas lanchas são lançadas de embarcações maiores posicionadas em alto mar.
Para se apoderarem dos navios, os piratas primeiro usam ganchos e barras de ferro --alguns também disparados por armas-- e sobem até o convés usando cordas e escadas. Em algumas ocasiões, eles disparam contra os navios para forçá-los a parar, o que facilita sua tomada.
Os piratas então conduzem a embarcação capturada até o porto de Eyl, na Somália, o centro das operações da pirataria. Ali, eles geralmente desembarcam os reféns, que são mantidos até o pagamento de um resgate.


Por que não se consegue conter os piratas?
Navios de guerra de pelo menos nove países estão atualmente operando no Golfo de Áden e nas águas fora da costa da Somália, mas isso pode ter apenas deslocado o problema.
O navio Sirius Star, capturado em novembro, estava a uma boa distância ao sul da costa somali quando foi pego. A área na mira dos piratas agora inclui quase 25% da superfície do Oceano Índico, tornando o patrulhamento virtualmente impossível. O Bureau Marítimo Internacional está aconselhando os donos das embarcações a adotar medidas como ter vigias e navegar a uma velocidade que os permita deixar os piratas para trás.
Entretanto, os piratas se deslocam extremamente rápido e, em geral, à noite. Portanto, muitas vezes é tarde demais para a tripulação se dar conta do que está ocorrendo.
Uma vez que os piratas tenham assumido o controle de um navio, a intervenção militar fica difícil por causa dos reféns a bordo.
Não existe uma legislação internacional para os acusados de pirataria, apensar de muitos terem sido julgados no Quênia, enquanto outros presos por militares franceses estão respondendo a julgamento na França.
Alguns diplomatas argumentam que é necessária uma corte internacional para esse tipo de crime, que tenha o apoio da ONU (Organização das Nações Unidas) e, além de uma prisão internacional para os condenados.
Em meados de dezembro passado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução autorizando os países a perseguir os piratas somalis também em terra --uma extensão para a permissão que os países já têm para entrar em águas territoriais somalis para perseguir os piratas.
Mas enquanto a Somália não tiver um governo efetivo, muitos acreditam que a "vida sem lei" que impera no país e em suas águas só tende a crescer.



Por que os piratas cometem esses crimes?
Por dinheiro. Os piratas tratam os navios, sua carga e seus tripulantes como reféns e exigem o pagamento de um resgate. O dinheiro que recebem é muito em um país onde não há emprego e onde quase metade da população precisa de alimentos, depois de 17 anos de vários conflitos civis.
O Ministério das Relações Exteriores do Quênia estima que os piratas tenham faturado US$ 150 milhões no ano passado com o pagamento de resgates.
Eles usam parte do dinheiro para custear novos sequestros, comprando mais armas e lanchas.


Como a pirataria afeta as pessoas fora da Somália?
Além dos prejuízos diretos para os envolvidos na indústria da navegação, o principal resultado é o encarecimento do frete com consequente aumento do preço das mercadorias transportadas. As empresas de transporte de carga passam adiante os custos de segurança, seguro, recompensa e combustível extra. Por fim, esse aumento chega ao consumidor comum. Estima-se que a pirataria tenha custado entre US$ 60 milhões e US$ 70 milhões em 2008.






 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Internet aproxima professores e alunos e reforça a aprendizagem

 Professoras Célia Santiago e Marilia Coltri. Foto Fábio Rogério.
 
Blogs e redes sociais servem para ensinar e estreitar relações dentro das escolas
Notícia publicada na edição de 01/02/2012 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 12 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
Regina Helena Santos
regina.santos@jcruzeiro.com.br


Elas podem ser usadas com diversos objetivos na escola, desde estreitar relacionamentos até ajudar na compreensão do conteúdo de uma determinada disciplina. Seja qual for a intenção, as ferramentas de internet estão cada vez mais presentes no ambiente escolar. Apesar de ainda haver resistência e dificuldades do "como fazer?", muitos professores e coordenadores já incluem, em seus planejamentos, reflexões a fim de incluir a tecnologia na missão de fazer aprender mais e melhor. "Nosso público não é mais de papel, é um público digital", comenta a professora de Inglês do Colégio Ser, Célia Aparecida Barros Santiago, de 41 anos, que desde 2009 mantém um blog que usa como forma de interagir com os jovens do ensino médio.

Célia conta que encontrou nessa solução a maneira ideal de trazer a língua estrangeira para mais perto dos estudantes. A página é abastecida com textos retirados de importantes publicações da mídia estrangeira. São reportagens que relatam fatos do dia a dia. "Eles precisam conhecer o que acontece no mundo, precisam ser estimulados à leitura." Assim como em qualquer blog, os alunos "visitantes" são convidados a comentar o texto, emitir sua opinião sobre o assunto em pauta - e é essa participação que, apesar de voluntária, vale um ponto na nota final. Porém, eles não precisam traduzir nada e a professora não avalia os comentários por eles produzidos com base em vocabulário ou volume de texto escrito. "Quero é que eles participem, conheçam a melhor maneira de encarar a língua, vejam sua utilidade, que ela é real, que existe além dos livros."

Olhada de maneira simplista, a iniciativa de Célia parece bastante comum. Afinal, muitos podem pensar: e se o texto fosse tirado de uma revista, por meio de uma fotocópia, e entregue na mão dos alunos? "Aí funcionaria como uma folha de exercícios. Eles até fariam, pois valeria pontos. Mas quando falo do blog vejo neles uma maior disposição em fazer", aponta Célia, destacando na "disposição" a grande diferença. A professora lembra que um ano após a colocação da página no ar ela resolveu fazer uma pesquisa de satisfação com seu público. E o resultado confirmou o que já vinha sendo percebido em sala de aula: a aceitação foi total.

"Muitos gostaram da novidade. Alguns acharam difícil, pois me contaram que nunca haviam tido contato, antes, com uma matéria de revistas estrangeiras." Para a docente, a situação confirma algo que vem sendo muito debatido na área da educação: o papel do professor num mundo no qual a internet apresenta, com facilidade, um grande volume de informações. Mesmo disponíveis nos respectivos sites das mídias internacionais, dificilmente os estudantes se interessam por este conteúdo antes de encontrá-lo no blog da Célia. Manter a página dá trabalho, mas ela garante que tem sido prazeroso e vale a pena.

A experiência da professora de Inglês já ganha adeptos na própria escola. Marília Carrenho Camillo Coltri, de 44 anos, viu na internet uma forma de ampliar o contato com seus alunos das disciplinas de Filosofia e Sociologia, para as quais havia um número muito reduzido de aulas da grade curricular. "Comecei a trabalhar a introdução de um tema em sala de aula e depois com um texto de referência no blog." O sistema é o mesmo - os alunos são estimulados a participar, por meio de comentários. "É também uma ótima oportunidade de cada um poder ler a opinião do colega. É um trabalho muito rico por causa disso." À frente de aulas de disciplinas tão densas, Marília avalia que o blog a ajudou muito na aproximação com os estudantes. "Se não é um aluno que gosta da área de humanas, enfrentamos resistência ao apresentar um texto em papel. Mas com a internet essa atividade se torna mais dinâmica e natural."

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